Mais um dia que acordo e olho no espelho o meu cabelo bagunçado, meio arrepiado de lado. Minha visão embaçada me permitia ver apenas um borrão, que acreditava eu, ser minha imagem refletida. Molhei o rosto esperando que a realidade me tomasse logo de vez, porque era pior de pouco em pouco, coloquei os óculos me encarando, sorri torto vendo que não estava tão mal assim, fiz meu café doce e forte, mas só o tomei quando já estava morno. Olhei meu telefone e vi nossa foto, não lembro bem porque ainda a tenho ali, talvez seja preguiça de tirar. Aquele café doce e morno foi me despertando aos poucos até ter fôlego o suficiente para cruzar a casa e abrir a porta olhando o céu azul, e dizer em alto e bom som: “Bom dia, Apolo.”, eu sorri para o sol, talvez eu esteja perdendo o último fio de lucidez que me restara. Lembrei que certo dia você tirou meus óculos, então eu disse “Você é o borrão mais lindo que já vi.”